Avaliações
10/07/2009
Honda New Fit LXL

Imprimir

TEXTO: Amintas Vidal

FOTOS: Eduardo Lozzi

 

No lançamento do New Fit, em outubro do ano passado, o AUTOPISTA pôde conhecer as grandes mudanças estéticas e mecânicas desta segunda geração do monovolume da Honda. O teste ocorreu em uma pista de corrida com topografia mais para plana que acidentada e com asfalto perfeito. Comprovamos diversas virtudes e poucos defeitos.

 

Agora testamos por uma semana o New Fit LXL com câmbio manual. Rodando principalmente pelos "raros" morros de Belo Horizonte, ratificamos algumas virtudes, mas descobrimos outros defeitos também.

 

No test drive do lançamento, o New Fit mostrou-se muito melhor que o Fit em quase tudo. Não fosse a troca do excelente câmbio automático CVT pelo convencional de cinco marchas -- herdado do New Civic -- poderíamos dizer que ele seria perfeito. Mas faltava um detalhe muito importante: o preço. Ele não foi divulgado nem no lançamento à imprensa e nem durante o Salão do Automóvel de São Paulo, dias depois. A montadora só teve coragem de divulgá-lo quando o carro chegou às concessionárias em novembro de 2008, como modelo 2009.

 

Se o Fit já era o mais caro do segmento, ficou ainda mais. A versão Top, EXS, custava mais que um Civic 2008, modelo 2008, já que o modelo 2009 só chegaria em janeiro deste ano.

 

Mesmo sendo o mais caro, o Fit sempre foi o líder da categoria. Não era o mais bonito, mas disparado o melhor e "o eleito" pelos proprietários entre todos os modelos disponíveis em nosso mercado durante quatro anos. E ele só perdeu esse título para o seu irmão maior, o New Civic, no ano passado. Agora é a vez do New Fit mostrar se tem virtudes para recuperar o posto no final do ano.

 

DESIGN

 

Com certeza o design é a maior entre todas as mudanças desta nova geração. Resumindo o que dissemos na época do seu lançamento: o New Fit manteve a identidade do Fit, mas mudou por completo. Seu design deixou de ser feminino para ser masculino, de ser fraco para ser forte e de ser estático para ser dinâmico. Ele está maravilhoso e é um dos monovolumes mais bonitos do mundo.

 

Mas não mudou só por fora. Seu interior está mais amplo e bem planejado. O aumento de 5 cm em seu entre-eixos tornou seu interior ainda mais espaçoso para um carro compacto. Ele tem mais espaço para as pernas de todos os ocupantes. Quatro adultos e uma criança viajam com muito conforto e segurança também: todos contam com cintos de 3 pontos e encosto de cabeça regulável em altura. É tanto espaço que o banco traseiro pode ser rebatido mesmo quando os dianteiros estão totalmente para trás. Os espaços para a cabeça e ombros também melhoraram com as maiores larguras e alturas em relação ao modelo anterior.  O porta-malas comporta 380 litros de carga -- é maior que o do New Civic e maior que a maioria dos modelos compactos e mesmo alguns médios de um ou dois volumes.  

 

Nada menos do que 10 porta-copos e mais alguns porta-objetos tornam o seu interior muito prático no uso diário. Exemplo: ao lado da alavanca do freio de mão tem um nicho estreito que cabe a maioria dos aparelhos de celular. Deixando o microfone do mesmo para cima, é possível usar o viva-voz sem que ele corra sobre o console central ou sobre o  banco, quando se faz uma curva. Outro destaque é o porta-copos que fica em frente à saída de ar. Com o ar-condicionado ligado é possível manter uma lata de bebida gelada. Em todas as portas há nichos para garrafas pets médias -- cabe até aquelas latas grandes de batatas. O acabamento no geral é de boa qualidade. E o design de painéis, puxadores, alavancas e bancos agrada, porém, não é tão bonito quanto o exterior. O que caiu muito bem ao conjunto foi a adoção do volante do New Civic, que é muito bonito, de boa ergonomia e, por ser bem pequeno, passa muita esportividade ao carro.

 

 

AO VOLANTE

 

No New Fit, a posição de dirigir é mais baixa do que a de seus concorrentes diretos, Meriva e Idea. Não se tem aquela sensação de maior proteção por estar mais alto que os outros veículos e nem a mesma visibilidade do tráfico à frente. Em compensação, sente-se o carro mais à mão. Também contribuem: a direção de assistência elétrica (leve, mas precisa) e um câmbio com engates também leves e muito bem definidos.

 

Nesta versão, LXL, o motor é o novo 1.4L 16V Flex com sistema i-VTEC programado para funcionar apenas com uma válvula de admissão e duas de escape em baixas rotações. Já em altas rotações, as quatro válvulas se abrem por igual. O objetivo é equalizar potência com baixo consumo. Ele tem 20 cavalos a mais que o de 8 válvulas do modelo anterior. São 100 cv (gasolina) e 101 cv (álcool) aos 6.000 rpm. Também ganhou 1,3 Kgfm no torque. São 13 kgfm aos 4.800 rpm.

 

Na prática não se nota grande diferença em ganhos, apenas em comportamento. Como todo 16 válvulas, ele ganha fôlego com giro mais alto. E que fôlego! Acima dos 3.000 giros o New Fit anda como poucos de sua cilindrada. Ele torna-se um carro arisco, mas cobra caro em conforto acústico. O barulho do motor invade a cabine e incomoda bastante. Em cidades acidentadas, como Belo Horizonte, toda hora aparece uma subida pela frente, e se você não subir o giro, o New Fit não sobe também. Durante nossa avaliação, rodando apenas com álcool, 70% na cidade e 30% na estrada, seu consumo foi o normal para compactos, ficando em torno de 8 Km/l.

 

Diferença mesmo se percebe no comportamento dinâmico. Com 5 cm a mais no entre-eixo e bitola mais larga, centro de gravidade mais baixo e geometria da suspensão dianteira modificada, sua estabilidade é exemplar. Poucos carros compactos fazem curva como ele. Mesmo acima do limite de aderência, já cantando os pneus, não tende a sair nem de frente e nem de traseira. Passa bastante segurança e ainda é bem confortável.

 

Outra diferença positiva em relação ao modelo antigo é que a carroceria passou a oscilar verticalmente em uma frequência menor, isto é, o New Fit ainda pula um pouco como o Fit, mas de forma mais lenta e, com isso, mais confortável. O que piorou mesmo foi a transferência das irregularidades do piso para a cabine. Com rodas de 15 polegadas e pneus 175/65, os remendos e buracos são sentidos por todos, principalmente por quem senta no banco de trás.

 

VALE QUANTO PESA

 

A versão testada, a LXL tem uma única configuração, ficando à escolha do comprador apenas a cor e o câmbio: manual de 5 marchas ou automático também de 5 marchas. Tudo mais é de série: duplo airbag, ABS, ar-condicionado, direção com assistência elétrica, travas, vidros e retrovisores elétricos, além de vários outros equipamentos de conforto e de segurança.

 

Os preços sugeridos do New Fit LXL são de R$ 54.635,00 com câmbio manual e 58.410,00 com câmbio automático -- isto no Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Já no Norte e Nordeste, o frete encarece ainda mais o monovolume: R$ 55.740,00 e R$ 59. 450,00.

 

CONCLUSÃO

 

O New Fit continua líder de vendas em seu segmento apesar de ser o mais caro. Que ele é mais bonito, mais equipado e tem melhor dirigibilidade que a concorrência, nós já comprovamos. Resta saber se será tão amado pelos seus donos como seu antecessor. Isso só o tempo nós dirá.

 

.

:-: Home :-: Quem Somos :-: Anunciantes :-: Cadastre-se :-: Fale Conosco :-:


© Copyright 2002 - Todos os direitos reservados para AutoPista