Avaliações
20/01/2010
Audi Q7 V6

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Exagerado, mas nem tanto

 

 

TEXTO: Licináira Barroso

FOTOS: Eduardo Lozzi

 

Avaliamos um dos utilitários esportivos mais cobiçados dos últimos tempos: o Audi Q7. A versão cedida pela Audi para nosso teste foi a "de entrada" -- se é que pode usar esse termo para um veículo que custa mais de R$ 280 mil! --equipada com motor V6 de 3.6 L e 284 cv de potência (a top de linha vem com propulsor V8 de 350 cv, em compensação, seu preço passa dos R$ 350 mil).

Realmente, a diferença entre os dois SUVs é bem grande: mais de R$ 70 mil. Dá para comprar um bom automóvel zero (claro que não um Audi) com esse "troco". Mas será que vale a pena levar para casa a versão menos potente e equipada do Q7? Essa foi a primeira pergunta que passou pela minha cabeça assim que cheguei à concessionária Audi Carbel para meu primeiro contato com o Q7 V6 3.6L.

Por fora, o utilitário é idêntico ao modelo V8. Ou quase. A única diferença está na identificação "3.6" localizada na tampa do porta-malas. Por dentro, o modelo ostenta a mesma sofisticação, conforto e tecnologia. O que difere é a ausência de alguns itens (de série na V8 e opcionais na V6), como é o caso da terceira fileira de bancos e do piloto automático adaptativo.

DESEMPENHO

Mas a diferença que realmente me interessava estava embaixo do capô. Será que os 284 cavalos do propulsor V6 vão dar conta do recado? Dei a partida e meus ouvidos foram presenteados com um ronco suave e ao mesmo tempo nervoso, como se estivesse implorando para que eu acelerasse e ganhasse o asfalto. É claro que eu atendi aos seus anseios! Acelerei com vontade e o utilitário que pesa mais de duas toneladas arrancou de imediato.

As respostas em retomadas também mostraram-se rápidas durante toda a nossa avaliação. Até mesmo em subidas mais íngremes, o grandalhão da Audi esbanjou fôlego de um caminhão. Aliás, o torque (força) é digno de um "carga pesada": 36,7 kgfm já disponível a partir das 2.500 rpm.

Outro trunfo do Q7 é o câmbio Tiptronic de seis marchas, com hastes atrás do volante, que proporciona trocas imediatas e sem qualquer tranco. Já o consumo assusta um pouco. Na cidade, fez médias de 4 km/l de gasolina e na estrada ficou na casa dos 6,5 km/l. Bom, depois dessa, não quero nem imaginar quanto é o consumo do V8...

SEGURANÇA

Mesmo sendo um utilitário esportivo de 1,69 m de altura, o Q7 provou ser bastante estável e muito bom de curvas, graças, principalmente, ao eficiente sistema de suspensão e tração permanente. Para quem não sabe, a letra "Q" vem de Quattro, sistema de tração integral, que trabalha com 40% da força motriz no eixo dianteiro e 60% no traseiro. Em caso de perda de aderência, transfere o torque automaticamente de forma individual para cada roda.

A segurança no Q7 V6 ainda é reforçada com sistemas de freio ABS (antitravamento) e EBD (distribuidor eletrônico da força de frenagem), ESP (controle de estabilidade) e RSP (anticapotamento). Há ainda airbags laterais, dianteiros, traseiros e cortinas infláveis nas janelas de série.

ESPAÇO

Com 5,1 metros de comprimento (sendo 3,0 m de entreeixos) por 2,17 m de largura, o utilitário esportivo da Audi não cabe em qualquer vaga. Em alguns shoppings e supermercados, ele ultrapassou a linha que limitava a minha vaga, ocupando quase a metade da vaga da frente. Ainda bem que as operadoras de estacionamentos não cobram a mais por isso! -- ops, melhor não dar idéia...

Apesar do tamanho exagerado, manobrar o Q7 não é uma tarefa difícil. Basta acionar o Audi Parking System Advanced, um sistema de auxílio a manobras que mostra o que se passa perto do pára-choque traseiro através de uma micro-câmera instalada na tampa do porta-malas. As imagens são transmitidas para um display de 7" no painel e o sistema ainda indica, por meio de gráficos, a direção que as rodas deverão seguir para conseguir a baliza perfeita. Como se isso não bastasse, há ainda sensores sonoros de aproximação. Quer mais? A direção é Servotronic, extremamente leve nas manobras!

Se por fora o Q7 é gigante, por dentro... ele também é enorme (achou que fosse diferente?). Cinco pessoas se acomodam com conforto e segurança -- há cintos de três pontos e apoio de cabeça para todos. Além disso, o ar condicionado possui quatro regulagens individuais.

O espaço para bagagens também é um exagero: 775 litros. E não é preciso muito esforço para ter acesso ao compartimento, uma vez que a tampa do porta-malas tem acionamento eletrônico para abrir e fechar. Aliás, a lei do menor esforço também está presente na abertura do porta-luvas. Basta apertar um simples botão no painel que a trava elétrica se abre. Já o fechamento é na base do empurrãozinho mesmo.

TECNOLOGIA

O painel do Q7 possui mostradores de fácil leitura, com instrumentos circulares e visores digitais. No console central concentra a operação de todos os sistemas do veículo, como rádio CD Player (som BOSE com 14 alto-falantes e disqueteira para seis CDs), computador de bordo, celular, ar condicionado, entre outras funções. São tantos os botões, que a impressão que se tem é de estar no cockpit de um avião.

Aliás, mesmo com o motor menos imponente do que o da versão top de linha, pode-se dizer que o Audi Q7 V6 é mesmo uma aeronave. Tamanho e tecnologia para isso ele tem. Só falta mesmo voar.

 

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