Quem é rei nunca perde a majestade. E foi justamente pensando em recuperar sua valiosa coroa de líder de vendas no segmento dos sedans médios que a Honda resolveu lançar no Brasil a oitava geração do Civic - praticamente o mesmo carro comercializado nos Estados Unidos desde setembro de 2005.
Assim como o modelo norte-americano - que inclusive foi eleito por lá o "Carro do Ano" - o Novo Civic produzido na fábrica de Sumaré (SP) tem atrativos de sobra para reconquistar os consumidores - principalmente aqueles que migraram para os concorrentes Toyota Corolla e GM Vectra (o novo), em busca de um visual mais moderno e novas tecnologias.
Entre esses atrativos, está o novo design externo do sedan. Veja as fotos ao lado e me diga se estou exagerando. O carro parece outro! Em quase nada lembra o seu antecessor. O capô perdeu os vincos e o conjunto óptico dianteiro ganhou novo formato, embutido em caixas de refletores com lentes de policarbonato. Já as lanternas traseiras agora invadem a tampa do porta-malas e contam com um espelhamento multifacetado que se assemelha à iluminação por LEDs. Na versão top de linha (EXS), as capas dos retrovisores receberam luzes indicadoras de direção (como no irmão menor Honda Fit) e os faróis de neblina migraram para a entrada de ar do pára-choque dianteiro.
INTERIOR FUTURISTA
O interior recebeu ares esportivos e futuristas. A começar pelo painel de instrumentos que, no Novo Civic, é - pasmem! - duplo. Isso mesmo! Trata-se de um inédito painel em dois níveis. O superior, mais próximo do pára-brisa, concentra o velocímetro, a temperatura do motor e o marcador de combustível - tudo digital. No campo inferior, estão o conta-giros, o hodômetro digital, os avisos luminosos, o indicador da marcha engatada pelo câmbio automático e, no caso da versão EXS, o indicador de temperatura externa.
O painel é iluminado em azul anil por meio da tecnologia LED. Dirigimos o Civic entre as 14h e as 15h de um dia ensolarado e não sentimos nenhuma dificuldade em visualizar o painel. Além disso, a Honda foi muito feliz na escolha da cor azul em um fundo preto: não cansa e nem agride os olhos.
Outra felicidade foi a escolha do volante. A Honda não trouxe para o Brasil o volante do Civic norte-americano, de dois raios. O volante do modelo nacional é sustentado por três hastes (bem mais bonito) e é menor do que o que se vê por aí: são apenas 36 cm de diâmetro.
A esportividade também se faz presente na empunhadura e no sistema de mudança de marchas, exclusiva da versão EXS (top de linha). As trocas seqüenciais das marchas são feitas através de alavancas atrás do volante (chamadas de borboletas). O sistema batizado de paddle shift eleva a marcha quando a alavanca do lado direito (o mesmo do acelerador, para facilitar a adaptação do motorista) é acionada, enquanto pelo lado esquerdo as marchas são reduzidas.
Encontrar uma boa posição para dirigir é tarefa fácil no Novo Civic. Além dos ajustes de profundidade e altura do volante, o banco do motorista também pode ser regulado em até 5 centímetros em sua altura (o dobro da versão anterior). Além disso, os assentos dianteiros passaram por uma revisão anatô¬mica a fim de tornarem a permanência mais convida¬tiva. Ficaram 15 mm mais largos e oferecem mais sustentação, graças à estrutura lateral de espuma gradualmente afilada.
CONFORTO E ESPAÇO
Mas não foram apenas os bancos do Novo Civic que cresceram. O carro também está maior. A distância entre-eixos cresceu 8 cm e a largura do carro ganhou mais 3,7 cm, beneficiando especialmente quem viaja no banco traseiro, onde três adultos se acomodam com um certo conforto - inclusive o passageiro do meio não foi esquecido: para ele também há encosto de cabeça e cinto de três pontos. Em um determinado trecho do test drive, resolvi testar o conforto do banco traseiro. Sentei-me atrás do motorista, que afastou ao máximo seu assento para trás. Eu, que tenho 1,70 m de altura, encontrei espaço de sobra para meus joelhos.
Quem viaja no banco traseiro do Civic ainda conta com a possibilidade de inclinar seu encosto em até 28°, proporcionando mais comodidade. Se o passageiro do meio ausentar-se, seu encosto vira um descansa-braço, com dois porta-copos (versão EXS).
Mas, no Novo Civic, o lugar mais disputado é, sem dúvida, o banco do motorista. Todos os comandos estão à mão - inclusive os do ar condicionado e do rádio. E, com o novo motor quatro cilindros SOHC com 1,8 litro (capaz de gerar 140 cv a 6.300 rpm e 17,7 kgfm de torque a 4.300 giros), não dá vontade de sair de trás do volante.
Uma alteração do Civic que pode dar o que falar é com relação ao freio de estacionamento, que ficou bem ao lado - e à esquerda - da alavanca das marchas. Muitos jornalistas torceram o nariz para o seu posicionamento. Eu, particularmente, não achei que atrapalhou a fazer as mudanças de marchas em momento algum.
VERSÕES E PREÇOS
A Honda ainda oferece uma motorização 1.8 limitada eletronicamente aos 125 cv de potência para atender à legislação de isenção de imposto para portadores de deficiência física. A versão é a LX equipada com câmbio automático e tem preço sugerido de R$ 64.200 (sem os descontos nos impostos, que variam conforme o Estado).
As demais versões do Novo Honda Civic são equipadas com o propulsor de 140 cv. São elas: a LXS com câmbio mecânico (R$59.600); LXS com câmbio automático (R$ 64.200) e a top de linha EXS, exclusivamente com câmbio automático que permite trocas seqüenciais (R$ 77.600). De opcional, apenas o banco em couro (R$ 1.500,00) para as versões LXS. Todas as versões saem de fábrica com ar condicionado, duplo airbag, rodas de liga leve, freios ABS com EBD, direção hidráulica, entre outros itens de conforto e segurança, dignos de um sedan de luxo.
PRIMEIRAS IMPRESSÕES
Dirigimos as versões EXS e a LXS manual com banco de couro, durante um rápido test drive organizado pela montadora, no evento de lançamento do Novo Civic, em São Paulo, na última quinta-feira. Foram pouco menos de 20 km percorridos pelas redondezas do aeroporto de Guarulhos.
O desempenho do carro é muito bom, entretanto, no Civic EXS, sentimos um certo "retardo" típido de câmbios automáticos na passagem das marchas. A versão com câmbio manual que dirigimos respondeu melhor nas retomadas. Os engates são precisos, mas a relação poderia ser um pouco mais curta, porque o motor demora um pouco a encher.
Apesar disso, o Civic tem tudo para recuperar o mercado. Segundo a Honda, a expectativa é de fechar o ano de 2006 com 28.060 unidades do sedan vendidas, sendo 23 mil da oitava geração. No ano passado, foram comercializadas pouco mais de 20.300 unidades do Civic, que ocupou a 17ª posição no ranking dos carros de passeio nacionais. |